Argumentum ad hominem


O diálogo, a comunicação em si, nos trouxe inúmeros benefícios, seja a uma pessoa como indivíduo, a um grupo, sociedade, povo ou nação.
Desde o início da história, a comunicação possibilitou com que a humanidade avançasse em vários pontos.
O avanço em si, foi bom. Mas algumas coisas básicas, que deveriam ter sofrido evolução, simplesmente se tornaram viciosas.
O que eu quero trazer em ponto, é a questão de que apesar da comunicação ter trazido benefícios, alguns vícios de linguagem foram criados. Muitos deles completamente prejudiciais.
Um desses vícios de linguagens, são as falácias lógicas, que é de fato uma coisa que praticamente todo mundo comete e no geral devem ser evitadas.

Argumentum ad hominem:
Definição: É uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo. Um argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.

É muito comum ver essa falácia sendo cometida, ainda mais nesse mundo globalizado onde se tem acesso as redes sociais em praticamente qualquer lugar.
Redes Sociais, esse será nosso objeto de observação. Como as pessoas se comportam, o que elas dizem e argumentam quando estão em meio a uma discussão no Facebook, por exemplo?
O argumentum ad hominem se resume no ataque pessoal.
Uma coisa muito comum de se ver nas redes, é a questão da guerra dos sexos. Vamos supor que uma mulher fale que por causa que o ex-namorado dela a traiu, todos os homens não prestam. 
Não acredito que aquele cachorro me traiu com aquela vagabunda, vocês homens são todos iguais.
Esse tipo de falácia, mais exatamente dicto secundum quid ad dictum simpliciter , é uma das maiores geradoras do que abordo nesse artigo. Ela consiste na ideia de que se X, no caso o namorado dela, que é um homem, comete uma traição (ou Y), isso o torna Z, que no caso é ser infiel. Logo todo X é Z, ou seja, todo homem é infiel, segundo ela.

- OK, mas onde o foco do artigo entra nisso? - Você diz.

Entra justamente quando alguém, um homem por maior possiblidade, responde com a seguinte frase:
"Nem todo homem é assim."
A resposta, vocês já sabem, não é?
"Mas você é homem, claro que vai dizer isso. Todos vocês homens são iguais, sempre dizem isso aí, mas quando é na hora fazem a mesma coisa."
Muita gente quando vê esse tipo de coisa, no mínimo pensa:"Que vadia louca." - Mas ao dizer isso, ela cometeu o argumentum ad hominem circunstancial, que consiste em:
Houve a afirmação de que todos os homens são iguais. O autor da répica é um homem, logo o fato dele ser homem, invalida o seu argumento, por que quem causou a circunstância da ideia inicial foi um homem, então seria óbvio que ele contestaria.
Isso nunca deve ser cometido. Um argumento deve ser baseado no conteúdo, não na pessoa, não no que ela faz ou deixa de fazer, ou até mesmo no caráter da pessoa.
Existe um silogismo em que pessoas ruins não podem cometer bons atos. Elas são estritamente ruins e só devem fazer coisas ruins ou tudo o que elas fizerem é visto como ruim.
Outra forma dessa falácia, consiste no apelo à hipocrisia. É quando alguém fala uma coisa que ela não faz, como por exemplo:

Pessoa 1: Você deveria parar de brigar com cristãos, o fato de você ser ateu não implica no fato de que você tenha que ser anticristão. 
Pessoa 2: Mas você passa o dia inteiro falando que todos os ateus vão pro inferno!

Não é obrigatório o fato de que se uma pessoa cometa um certo erro e diga que ele é errado pra você, os dizeres dela estão errados. É muito comum ver pais dizendo para os filhos não fumarem por que isso é ruim, mas mesmo assim continuam fumando. Existem muitos fatores envolvidos nisso, e maioria das causas pode ser o vício. Não é fácil se livrar de um vício.
Vamos a um outro exemplo, ainda mais comum:
Pessoa 1 curte Funk Carioca e a Pessoa 2 curte Rock. O Funk Carioca é visto negativamente por praticamente todos os fãs de outros estilos musicais, a falácia entra quando ocorre o seguinte diálogo:

Pessoa 1: Eu odeio essa Iron Maiden, até mesmo parece que eles tem algum pacto com o Diabo.
Pessoa 2: Não ligo pra o que você diz sobre Iron Maiden, você curte essa merda de funk, não sabe nem o que é música de verdade.

Ou talvez:
Pessoa 1: Não sei como vocês aguentam ouvir esse tal de RHCP.
Pessoa 2: Você deve ser funkeiro.

Nos dois casos, ocorre tanto um estereótipo, quanto uma falácia de culpa por associação, ela consiste em um motivo X (gostar de funk), que é associado a Pessoa 1, logo qualquer argumento dessa pessoa sobre Y (música) se torna inválido, pelo fato o motivo X é negativador do crédito ou conhecimento da Pessoa 1 sobre o assunto Y.
Existem pessoas ecléticas, não é? Não é pelo fato de que eu gosto de um certo estilo musical que é visto de forma negativa, que meu conhecimento ou opinião sobre música ou outros estilos musicais é totalmente invalidado.

No ponto histórico, se vê muito burgueses ou até nobres, trazendo ideias sobre o que o povo é, o que o povo vê. Podemos ver por exemplo, o ex-presidente Lula, que costuma dizer que os pobres é que são o verdadeiro Brasil, os trabalhadores que tá todo dia no batente, sob um sol escaldante, pegando 3 ou 4 ônibus pra chegar no trabalho que é são verdadeiro Brasil.
Você poderia pensar, quando ele dizia isso, na condição de presidente não é um trabalhador comum, que pega ônibus ou usa o transporte público, muito menos fica no sol, logo o que ele diz sobre o povo pobre é inválido. Isso seria um ad hominem.
Marx dizia que somente o proletariado tinha uma visão objetiva da história. Mas ele não fazia parte do proletariado. Um argumento ad hominem,  poderia dizer que se ele não fazia parte do proletariado, logo a visão dele não é objetiva, tornando a ideia de que só o proletariado tem uma visão objetiva, dita por ele, inválida.

As falácias lógicas não são uma espécie de "crime", algo como um erro de ortografia, as vezes elas podem ser necessárias ou essenciais para a construção e desenvolvimento de uma discussão, o que deve ser evitado nesse caso, é o direcionalmento total ao autor, ignorando por completo o conteúdo, mesmo que esse conteúdo faça sentido e esteja certo.
Seria como dizer que uma pessoa que nasceu no Reino Unido, não pode falar francês, por que ela não é francesa ou que o francês dela sempre estivesse errado, por ela ser inglesa.
Então é isso, ofendam menos, argumentem de forma sociável e correta. Estratégias são válidas, mas xingar o oponente de 30 nomes não vai te trazer benefício nenhum. Pense nisso!

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